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domingo, 28 de agosto de 2011

Fábio Holanda - História, Células Tronco e Reabilitação.


Meus amigos meu nome é Fábio Araújo de Holanda Souza, a pessoa do vídeo que mostra os primeiros movimentos das pernas durante tratamento na Europa:

Clique aqui e veja o vídeo

Após vários e-mails e contatos, gostaria humildemente de compartilhar minha história.

No dia 13 de março de 2008, por volta de 01h da madrugada, sofri um acidente de carro, no interior do Rio Grande do Norte, este caiu de um barranco de cerca de sete metros de altura, sofri uma rotação em C4, um esmagamento em C5 e uma fratura em C6 devido a múltiplos movimentos “chicote”.


O principal complicador foi o tempo que aguardei por socorro, cerca de 4 horas, desta forma não foi possível aplicar corticoides imprescindíveis para diminuir o edema (inchaço), assim as consequências da lesão foram agravadas, penso.

Bem acredito em Deus, e acredito mais ainda que, Ele me salvou, lembro-me de uma luz azul que envolveu meu corpo no primeiro impacto, ocasião em que meus braços e pernas perderam os movimentos, bem como da sensação de não sentir nada, achava que todos os meus membros haviam sido decepados, foi quando percebi que os mesmos, braços e pernas, estavam no lugar, logo pensei “quebrei meu pescoço”. Este pensamento veio de súbito, pois sou Oficial da Polícia Militar, e havia cursado a disciplina de Socorro e Urgência, onde havia escutado um caso de um Oficial dos Bombeiros que sofrera um acidente de carro, e pedindo socorro e implorou que ninguém o tocasse, entretanto os populares no afã de ajudá-lo e retirá-lo das ferragens agravaram a lesão medular cervical que este havia sofrido, fazendo-o parar de respirar e morrer antes de chagar o socorro.

Bem, eu não estava sozinho, meu tio Hércules Holanda andou cerca de trinta quilômetros e pediu socorro em uma pequena cidade chamada Jucurutu – RN, no momento de sua partida, respirar tornou-se um desafio, minha lesão estava muito alta, os pulmões não tinham mais força, então chamei minha mãe - que a esta altura estava desesperada e rezava constantemente -, e pedi que segurasse minha mão onde quer que estivesse, pois iria morrer. Passei cerca de duas horas desacordado.

Meu pai estava no meio do asfalto gritando e rezando a Deus, e a Santo Antônio de Pádua, por um milagre (respeito todas as religiões), instante em que meu tio chegou com o socorro. Milagrosamente, recuperei a consciência neste momento, e perguntei ao socorrista, onde estava o colar cervical e a prancha de resgate, e ele me disse que nunca tinha visto esse tal de “colar”, mas a prancha talvez tivesse em Jucurutu, então ele teria que voltar e pegar. A pressão de todos para que eu fosse socorrido naquele momento era grande, entretanto alguma coisa ou alguém, DEUS, me dizia que eu deveria esperar a prancha de resgate e com sorte o colar cervical que naquela altura já havia explicado ao socorrista do que se tratava. Gritei – não sei como tive força para tal, já que mal conseguia respirar -, para que o socorrista voltasse com a prancha e com o colar cervical, e que ninguém movimentasse meu corpo até sua volta.

Após algum tempo regressou o socorrista apenas com a prancha, então mais uma vez, alguém, DEUS, me deu uma solução em meio aquele caos, os tamancos de minha mãe, logo orientei como posicioná-los para substituir o colar cervical, e assim ser resgatado daquele barranco.

Não me perguntem como tive calma para orientar estes procedimentos e como tinha tanta certeza que havia lesado minha medula especificamente no pescoço, pois acredito ter sido uma mensagem de DEUS e, desta forma, não tenho como explicar.

Quando cheguei ao hospital, em Mossoró distante cerca de 80 km de onde estava, fui medicado e me foi dada a triste informação que a lesão era muito grave e igualmente extensa, de C3 a C8.

Logo fui encaminhado de avião ao Hospital da UNIMED onde fui operado pelo Dr. Édson Lopes. Lá chegando, todos se perguntavam como pode este rapaz chegar respirando, e lá estava eu. Alguns médicos disseram que uma lesão como a minha não tinha jeito, provavelmente seria completa e que devia buscar qualidade de vida, as estatísticas eram de 1% de chance de voltar a andar, entretanto Dr. Édson Lopes me disse que não poderia dizer que eu voltaria ou não a andar, pois um dia ousou dizer algo neste sentido e seu paciente o visitou em seu consultório andando, assim tenha fé, concluiu.
Comecei uma luta de fisioterapias com o Dr. Marcel Valentin e a Dra. Bruna Barreto, jovens e competentes que estiveram comigo fazendo 4 horas de fisioterapia diária durante todo este tempo.

Faço uso desde então de um medicamento chamado SYGEN, que ajuda no restabelecimento da bainha de mielina, responsável pela condução do impulso nervoso.

A conclusão de que minha lesão era incompleta somente foi dada com o passar dos meses em que algumas melhoras foram aparecendo.
Estive no Sarah Kubitschek em Fortaleza – CE, cidade onde moro, cerca de 10 meses depois do acidente, neste período de cerca de um mês, fui diagnosticado do seguinte modo, Lesão Medular, C5, C6 sensitivo, C6, C7 motor, ASIA B/C? Acredito haver dúvidas, até então, sobre qual a classificação da lesão.

Cerca de dois anos se passaram e não havia quaisquer contrações nas pernas que não fossem ligadas a espasticidade, com relação aos braços, havia recuperado bíceps e boa parte do tríceps do lado direito, bem como o bíceps do lado esquerdo, todavia o tríceps canhoto apresentava apenas fibrilações.
A esta altura do campeonato as pessoas diziam que a velocidade da recuperação iria diminuir, pois já haviam se passado dois anos de lesão e o edema desaparecera com seis meses, então meu quadro seria aquele para o resto da vida, entretanto minha fé continuou forte no “médico dos médicos”, e a fisioterapia continuou na mesma intensidade.

A opinião da equipe médica do Hospital Sarah era de não aconselhar ficar em pé por conta da ausência de contração nas pernas, entretanto meus fisioterapeutas tentaram um método novo, com uma órtese longa até a cintura, me colocavam em pé ao passo que estimulavam com exercícios o tronco, bem como, estímulos para sensibilidades através de massagens específicas.

Com três anos de lesão, meus braços estavam bem recuperados, com exceção dos dedos, que não apresentavam contrações voluntárias com exceção do polegar e do dedo mínimo da mão direita. Já o tríceps do braço esquerdo estava forte, mas não tinha força para sustentar resistência contra o movimento.

Dois momentos foram importantes para mudança de alguns paradigmas.
Primeiro, descobri através de uma reportagem na TV com a Camila Lima, um tratamento de fisioterapia revolucionário no Centro Giustí, que trata todos os pacientes lesados medulares em pé. Tal tratamento estaria em sintonia com pacientes transplantados de células-tronco, mais precisamente aqueles oriundos do Dr. Carlos Lima do Hospital de Lisboa (também foi alvo da reportagem supracitada).

Segundo, através de uma pessoa de minha família que sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA, descobri também um tratamento com células tronco em um centro na Alemanha chamado XCELL, (hoje fechado pela justiça alemã, e segundo informações desta, completamente falido), fui até lá, a clínica funcionava no Hostital (Krankenhaus) Dominikus em Dusseldorf na Alemanha, e tive uma consulta com uma médica neurocirurgiã, ela me explicou o procedimento, seria retirado e selecionadas células tronco na bacia e implantados mediante um cateter inserido na altura de L4, e iria pelo líquido cefalorraquidiano até a altura da lesão, lá seriam despejadas as células.

Foi-me orientado que nenhum tratamento médico pode ser considerado totalmente seguro. Todos os tratamentos médicos envolvem riscos, alguns menores e outros maiores. Estes riscos, mesmo pequenos para lesão medular incompleta, foram explicados com clareza tanto pela neurocirurgiã, quanto pelo biólogo que faria o trato celular. O principal risco, ainda que pequeno, era meningite, por ser um implante invasivo, entretanto, segundo eles, até então tal fato não havia ocorrido com pacientes que sofriam lesão medular.

No site da XCELL tinham vários estudos científicos publicados (ainda tenho um comigo, quem quiser é só pedir) que traduzi atentamente até por que se tratava da minha vida e não realizaria procedimentos que prejudicassem o que havia ganhado até então. Duas coisas chamaram minha atenção, primeiro, a diversidade de doenças pesquisada com células-tronco, segundo, o tamanho do grupo controle, cerca de 300 pessoas.

Resolvi fazer uma primeira consulta para conhecer o ambiente e acabei conhecendo algumas pessoas com E.L.A. do Brasil e um casal de Portugal com duas filhas com Paralisia Cerebral que haviam feito e relataram estar melhores.

Ao acessar o site da XCELL conheci a pessoa que fazia o contato entre a clínica e os pacientes e que fala português, depois dos primeiros contatos e da primeira consulta, recebi um documento com o agendamento incluindo datas e orientações para um primeiro depósito caução.

Deste modo, depositei uma quantia de 5.000 euros adiantado para dar início aos procedimentos, entretanto a clínica XCELL havia fechado, como disse, e o processo de falência iniciou em 11 de maio de 2011. Eu ainda estou tentando reaver este dinheiro até agora sem muito sucesso. Aliás, atualmente vários pacientes ao redor do mundo estão em situação parecida.
Após contatos com esta pessoa, soube que o mesmo procedimento estava agora sendo feito em uma clínica na cidade de Bonn na Alemanha chamada Elisées. Não tinha opção, portanto resolvi ir e ver, in loco, a citada clínica. Esta aparentemente era uma clínica de estética e não tinha o aporte que a XCELL tinha. Mas algo ou alguém, DEUS, mais uma vez entrou em cena, a médica que havia me consultado ia fazer o implante e o biólogo que fazia a seleção das células tronco era o mesmo que havia conhecido na XCELL. Então apesar das aparências duvidosas, acreditei e fiz.

Hoje, não posso afirmar que o tratamento com células tronco na Clínica Elisées é a mesma, pois, segundo informações, alguns profissionais não trabalham mais lá incluindo a médica que realizou meu implante. Aliás, não confiem em Clínicas, confiem em Médicos, são pessoas, conheça-os, perguntem e, tirem suas conclusões.

Logo após iniciei o tratamento na clínica Giusti na Itália e estou fazendo tratamento na clínica ISST em Unna na Alemanha.

Bem cerca de algumas semanas após o implante senti uma sensação discreta de frio e calor na linha da cintura, ainda não tinha tido nenhuma sensação destas abaixo dos ombros.

A Fisioterapia esta sendo decisiva em meu tratamento.

Com um mês de tratamento na clínica Giusti, tenho mais força de tronco, algumas contrações nos dedos dos pés e nas pernas apareceram mais dissociadas de espasticidade. Consigo deambular com ajuda de um deambulador, tem esses vídeos na internet:

1ª Deambulação

2ª Deambulação

3ª Deambulação

4ª Deambulação

Iniciei no Centro ISST uma reabilitação que visa o estímulo do cérebro para encontrar o caminho do movimento, digo do músculo, aqui consegui o movimento das pernas que estão no vídeo, e repito, NUNCA antes tinha feito um movimento nas pernas, igual ao que fiz.

Perdoem-me a ignorância, mas não sei explicar com minúcias como funciona este tratamento, entretanto estou tentando levar ambos para o Brasil, através de um Movimento chamado ANDA BRASIL, vamos ver se consigo apoio suficiente para tal.

Amigos, fundamos um Instituto chamado IDEIAS do BRASIL e este ira nos ajudar para maximizar o MOVIMENTO ANDA BRASIL.

Instituto IDEIAS do BRASIL

Assim, gostaria de CONVOCAR todos os lesados medulares que concordem com o propósito do "ANDA BRASIL", qual seja, trazer para o Brasil os tratamentos de reabilitação realizados na Alemanha pelo Centro ISST e na Itália pelo Centro Giusti.

Anda Brasil no Facebook

Bem amigos esta é uma síntese de minha história.

Sobre o implante de células tronco digo, não existem atalhos, apenas fé, força de vontade e muita fisioterapia são responsáveis por mudanças. Sugiro antes de cogitar fazer ou não implante com células tronco, ler atentamente um Manual com informações úteis para quem pretende submeter-se a um tratamento desses, da Sociedade Brasileira para Pesquisa com Células-tronco no site abaixo:

Manual Informativo a Pacientes de Celulas Tronco

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Um abraço a todos! E boa Sorte!

4 comentários:

Márcio Vaz disse...

Parabéns Fábio, Excelente o Blog, assim nos manteremos informados dos avanços referentes ao tratamento com células-tronco assim como das terapias de reabilitação.

Elenita Amarante disse...

Parabéns Fábio por sua determinação e fé, estou muito feliz por vcs, com sua evolução e sua dedicação em nos passar novos conhecimentos. Que Deus te abençõe e ilumine sempre. Bjusssssss

Mr. Babidi disse...

Fábio, nos de novas noticias, videos, se possivel, demonstrando as mãos e os treinamentos que possam vir a ser filmados, enfim, torcendo aqui e ansioso por novos métodos de recuperação!

guilherme disse...

Boa tarde meu nome é guilherme e dia 22 de janeiro sofri um acdente de moto, fiquei paraplegico com uma lesao na T3. estou aguardando retorno do Dr Carlos Lima em Lisboa sobre um possvel tratamento, gostaria e muito de uma opiniao sua